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NRF 2018: COMO SERÁ O VAREJO DO FUTURO

Nova York/Estados Unidos

O maior evento de varejo do mundo, NRF Retail’s Big Show, mostrou durante sua 107ª edição as tendências do varejo do futuro

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A experiência do consumidor, a integração dos canais para facilitar o processo de compra e o uso correto das tecnologias e dados dos clientes foram os principais temas abordados durante o maior evento de varejo do mundo, que acontece anualmente em Nova York e reúne mais de 35 mil pessoas de mais de 95 nações, que durante três dias consecutivos se reúnem para ouvir os grandes nomes do varejo mundial e visitar cerca de 600 expositores que trazem as principais novidades entre conceitos e tecnologias deste setor.

Logo na abertura do evento o CEO da Levi’s, James Curleigh, entrou no auditório principal em cima de uma bicicleta e estava vestindo uma jaqueta com tecnologia vestível, os chamados wearables. Desenvolvida em parceria com a Google, chegará às lojas americanas no final deste mês e deve custar cerca de US$ 300,00.  A abordagem de Curleigh foi direta e levantou a necessidade de constante atualização das marcas. Na Levi’s houve condições para que a marca centenária se renovasse e não se tornasse velha, caindo em desuso. O segredo, segundo James, é sair da inércia e respeitar a segunda Lei de Newton, conhecida como o Princípio Fundamental da Dinâmica, que mostra que a força atuante sobre um corpo é resultado da multiplicação da massa desse corpo por sua aceleração, ou seja, é preciso decidir agir em direção à inovação, completou. No caso da Levi’s houve convicção plena e uma intenção estratégica que moveu toda a renovação da marca. Passaram a oferecer não somente o jeans, mas soluções de estilo de vida.

Para isso, foi fundamental buscar, o que ele chamou de, “equilíbrio estratégico” para se manter simples nas entregas aos clientes, mas super sofisticados no backoffice. É preciso evidenciar, diversificar e integrar os canais (omnichannel), disse Curleigh.

 

OMNICHANNEL

O termo omnichannel nunca esteve tanto em voga como agora. O mercado varejista já sabe da necessidade de integrar a experiência do consumidor na loja física com ferramentas virtuais, de forma que a compra seja complementada pela interação digital e vice-versa. No entanto, esta edição da NRF deu destaque especial ao tema ampliando a integração para uma completa transformação da experiência de compra. O consumidor decide como quer comprar e ao mesmo tempo, o produto o encontra através de uma correta leitura e tratamento dos dados captados pelos próprios sistemas que integram os canais.  É simples desde que se tenha uma gestão única dos contatos, haja disposição para decisões difíceis e que o board da empresa busque competências que ampliem a visão estratégica para aplicar tais soluções. Quem ganha com tudo isso? O cliente.

Paulo Junior com Luiza Helena, do Magazine Luiza durante a NRF 2018

Dentre os grandes nomes internacionais, a brasileira Via Varejo também participou de um painel, mostrou toda a estrutura do grupo e contou sua experiência na transição para o varejo digital. Há cerca de 16 meses eles não vendiam nada online. Houve grande esforço para primeiro entender o cliente e suas demandas e só depois iniciar as ações. Hoje, integram a venda online com a entrega nas lojas físicas, tornando a gestão de estoques mais eficiente e o processo de compra mais rápido e barato.  O mesmo faz, diga-se, com muito sucesso, o Magazine Luiza, que além da Presidente do Conselho de Administração, Luiza Helena (foto) e seu filho Frederico, Presidente do Grupo, levou cerca de 80 funcionários para o evento. Uma grande demonstração de valorização do seu pessoal. O Brasil levou a segunda maior delegação da feira, ficando atrás apenas do Canadá.

Marcas globais como Starbucks também contaram quais suas estratégias locais para ter sucesso digital. Segundo Shawn Sweeney, Vice-Presidente de Experiências Digitais, a companhia parte sempre do seguinte pressuposto em suas ações: “Somos seres humanos e como tal, queremos todos ser reconhecidos. Isso é a base para desenharmos as experiências, os produtos e a comunicação”, disse Shawn. Segundo ele, há uniformidade estratégica, porém, sempre existe uma pitada local. “Terceirizamos as operações locais preocupados sempre com um alto padrão na entrega”.

 

ALIBABA E O FUTURO DO VAREJO (assista o vídeo)

Contexto

Um dos principais cases apresentados na NRF 2018 foi a revolução que o Alibaba está promovendo em suas operações à partir da China. Os números apresentados pelo vice-presidente para a América do Norte do Grupo Alibaba, Lee Mccabe, chegam a ser assustadores. Por exemplo, o incremento no crescimento do consumo na China a partir de 2018 foi da ordem de US$ 1,8 trilhões, exatamente o tamanho do consumo de toda Alemanha no mesmo período, ou seja, um fato que desperta enormes oportunidades para o mundo, pois, aquele país asiático passa agora a fortalecer o seu consumo interno. Além disso, há uma projeção de que cerca de 26,7% do consumo na China será online em 2019, enquanto o segundo país que mais faz transações online, a Índia, somente 13,3% o farão e nos EUA, cerca de 9,5%.

A China também está dominando o ecossistema que abraça o mercado online, principalmente, quando comparado com os EUA. Nos meios de pagamentos eletrônicos, por exemplo, foram pagos em 2016 cerca de US$ 790 Bilhões na China, enquanto nos Estados Unidos este número não ultrapassou os US$ 74 bi. Sem contar que o custo de uma entrega de uma compra feita online na China custa cerca de 8 remembi, equivalente a US$ 1,16, enquanto a entrega expressa nos serviços postais americanos custa cerca de US$ 23,00. Ainda como pano de fundo, em 2010 haviam cerca de 140 milhões de compradores online tanto na China quanto nos EUA. A projeção para 2020 mostra todo o potencial do mercado chinês nessa área: serão cerca de 891 milhões de compradores online chineses contra 270 milhões de compradores americanos.

Enquanto nos EUA existem diversas companhias que integram todo o ecossistema digital, como por exemplo Ebay e Amazon em vendas, Youtube e Facebook para marketing e Google, Twitter e Face para monitorar performance, o Alibaba agrupa uma série de serviços para abarcar as três áreas que fortalecem o comércio eletrônico.

 

Convergência

Baseado em todos estas informações, o Alibaba passou a atuar como grande concatenador de oportunidades, propondo parcerias com redes de supermercados, disponibilizando dados, automatizando processos, digitalizando informações, criando verdadeiras lojas inteligentes, tudo para potencializar as vendas através dos seus canais. Uma verdadeira convergência de canais.

Contato

Números do Single Day Alibaba

Números do Single Day Alibaba

Dentro da estratégia de promover uma experiência duradoura e divertida para os consumidores, o Alibaba criou o Single Day, que acontece sempre no dia 11 de novembro de cada ano. É um dia histórico no varejo chinês. São mais de 140 mil marcas participantes, 225 países envolvidos, 60 mil marcas internacionais, 90% das compras acontecem online. Em 2017, somente o single day gerou um faturamento de US$ 25,3 bilhões. É isso mesmo, num único dia o Alibaba conseguiu faturar o mesmo valor que todo Brasil comercializou no ano de 2017 (USD 25,04). Os números não param por aí. Nesse dia foram vendidos cerca de 600 toneladas de castanhas, 168 toneladas de cerejas, cerca de 100 Iphone X em apenas 50 minutos, 100 Maseratis em apenas 18 segundos e 350 carros Alpha Romeo em 33 segundos. Espetacular!!!

 

Visitas e aprendizado

Por mais um ano estivemos na feira com um grupo muito seleto de profissionais com larga experiência no varejo, diretores de grandes empresas e professores de universidades renomadas no Brasil. Visitamos diversas lojas, algumas com um alto nível de tecnologia embarcada, como a Lowe’s, focada em construção. Lá o cliente pode fazer o projeto de decoração numa área específica ou mesmo enviar seu projeto por email. Pode ainda comprar usando uma tela com todas as informações disponíveis sobre o produto.

Experiência de compra na Lowe's

Experiência de compra na Lowe’s

Fomos também no segundo maior varejista dos EUA, a Costco que faturou no último ano cerca de US$ 118 bilhões com apenas 4.000 SKUs, ou seja, somente 4 mil itens em 700 lojas. A margem mais alta que a rede pratica em sua marca própria é de 15% como margem bruta, obtendo um lucro de 2%, muito alto para este tipo de operação, parte disso devido ao giro extremamente rápido do seu estoque. Note que mesmo tendo margens extremamente baixas, a Costco consegue oferecer produtos e serviços de qualidade.

 

Visita técnica realizada na Costco: todo produto com preço terminado em 7, significa que não será mais comprado.

Visita técnica realizada na Costco: todo produto com preço terminado em 7, significa que não será mais comprado.

Pudemos conhecer ainda a operação da Amazon Bookstore que está aproximando o cliente digital da loja. Recentemente, a Amazon inaugurou sua loja física sem caixas, onde o cliente pega o produto e sai da loja debitando o pagamento diretamente em sua conta, sem a necessidade de um checkout.

Amazon trabalha todos os seus dados digitais também dentro de sua loja física: oportunidades e descontos

Amazon trabalha todos os seus dados digitais também dentro de sua loja física: oportunidades e descontos

Por fim, fizemos uma reunião de aprendizado no Brazil Brazil 46, o melhor restaurante brasileiro em Nova York. Lá o grupo pode debater sobre o futuro do varejo brasileiro e sugerir ações práticas que sejam possíveis de serem aplicadas por aqui, afinal, inovar é preciso. Basicamente, os pontos destacados pelo grupo foram:

  • Marcas movidas por propósitos
  • A experiência do Consumidor deve ser uma realidade: espaço de convivência e customização.
  • Integração dos canais para facilitar a compra pelo consumidor, ou seja, lojas físicas ganham novo significado.
  • Logística do varejo deve ser movida pela velocidade, inovação e digitalização.
  • Inteligência de Mercado ganha força para análise de dados
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Visita técnica na loja da NBA, em Nova York.

Em 2019 tem mais NRF. Sucesso!!!

NÃO PERCA

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Dia 29 de janeiro faremos um encontro com varejistas em João Pessoa para contar tudo o que aconteceu na NRF.